Tudo está bem enquanto nosso idoso pode desfrutar de sua autonomia, tanto social quanto financeiramente, sempre disposto a receber seus filhos e netos em casa, pela simples alegria de ver sua posteridade com saúde e progressos nos estudos e no trabalho, até que, um acidente, ou mesmo uma anomalia no organismo ou ainda dificuldades cognitivas que vão acontecendo, tornando comuns alguns esquecimentos, a ponto de comprometer aquela autonomia de antes.
Sabemos que, por razões econômicas e sociais, um grande numero de famílias hoje busca na medida das possibilidades, investir num cuidador formal, aquela pessoa habilitada para cuidar de idosos devidamente credenciada. Quando os recursos não são suficientes para este fazer profissional, busca-se na família quem possa se dispor para acompanhar aquela pessoa idosa, agora dependente. A definição de quem será este cuidador familiar passa por uma decisão rápida em vista da urgência deste novo momento. A predominância de cuidadores é habitualmente, o cônjuge, seguido de uma filha e por seguinte um filho, fato comprovado nas atividades de pesquisa de Geriatria e Gerontologia Interdisciplinar, no Campus de Geriatria da UFF Niterói.
A presença de um idoso dependente na família muda consideravelmente a rotina desta família, até então focada em sua atividades enquanto indivíduos, em especial, os filhos em suas atividades estudantis ou de trabalho secular. Afetivamente, ocorre então um estado de tensão e perplexidade, conforme for a causa ou circunstancia dessa dependência da pessoa idosa. Não seria adequado comparar este "adoecimento familiar enquanto resultado" e o adoecimento familiar no caso de dependência química que acaba por acontecer com um dos pais ou um dos filhos; pois há uma contingência existencial no segundo caso e um adoecimento por fatores físicos e naturais no caso dos idosos. Por esta razão a esta família com pessoa idosa dependente necessita toda ela de uma atenção especial nesta primeira fase da atenção a este idoso. É preventivamente ideal que cada família possa perceber com antecedência aquela pessoa que já se encontra mais próxima deste adulto idoso autônomo, para que acompanhe e esteja atento às mudanças que normalmente acontecem com seu idoso, que já não tem a mesma mobilidade ou agilidade e que haja um sadio consenso entre os membros da família para que este apoio seja compartilhado e cotizado entre os que podem se dispor de forma coerente e equilibrada, serem presentes e compreensivos com esta nova fase da vida que, quanto ao caso exemplificado,sucede a um dos pais.
Você pode perguntar: Tudo bem mas, como se dá quando nosso idoso pai ou mãe se torna uma pessoa dependente, como faremos para que não falte apoio, segurança de cuidados? Este é o assunto que tratarei na semana que vem. Se houver dúvidas, podem ser colocadas nos comentáríos deste blog, no que serão respondidas oportuhnmente. Grande Abraço a todos!
Carlos Alberto Machado Gomes
Psicólogo Clínico
Especialista em Geriatria e Gerontologia Interdisciplinar pela
Universidade Federal Fluminense
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